por Thaia Duó
09/04/2010
Parceria entre o hospital e a Gran Sapore marca a entrada da empresa no mercado hospitalar de São Paulo
Inovar com diferencial em gastronomia tem sido uma estratégia do Hospital Nove de Julho para conquistar os clientes nos últimos três anos. O primeiro passo da instituição foi firmar parceria com a Gran Sapore para a elaboração conjunta de um projeto gastronômico.
"Estávamos procurando um parceiro que nos acompanhasse nessa questão da inovação com diferencial, e a Gran Sapore tem grande conhecimento na área de gestão de produção de compras, de gerenciamento e processos, além de ser uma empresa com referencia no mercado e que pode agregar junto com nós", afirma a gerente de Hotelaria do Hospital Nove de Julho, Veridiana Correa.
Após traçar o perfil dos pacientes e suas necessidades, assim como os dos seus clientes internos, a instituição passou a elaborar planos de trabalho nas áreas focadas pelo projeto.
A partir dessa etapa, conforme descreve a parceria entre as empresas, o hospital passou a investir na aquisição de enxovais e utensílios, enquanto a Gran Sapore se responsabilizou pela parte de mão-de-obra, equipamentos e treinamento pessoal.
Sem divulgar valores, Veridiana conta que desde o início a Sapore cuida da produção e da parte clínica da nutrição do hospital. O destaque é para o chefe de cozinha que desenvolve cardápios especiais. "Temos diariamente quatro opções de menus em cada refeição e mais uma opção do chefe, além de um cardápio de grelhados e dos pratos do restaurante Roberto Raviolli, também parceiro do Nove de Julho."
Por meio desta parceria, o hospital também passou a desenvolver e disponibilizar cardápios de suplementação. "Isso tudo significa um cuidado não só com a comida, mas sim com a apresentação dos pratos, o cuidado com a escolha", destaca.
Um dos resultados do projeto é a economia de 30% que tem gerado dentro da instituição em relação a redução do uso de água, energia, alimentos e também de mão-de-obra já que a parceria inclui produtos processados, entre outros.
Segundo Veridiana, os legumes e as carnes já vêm cortados, permitindo uma padronização para facilitar na gastronomia hospitalar. "É muita facilidade. Por exemplo, usamos apenas dois litros de óleo de cozinha por dia."
Para que tudo ocorra da melhor forma, a Gran Sapore disponibiliza cerca de 120 colaboradores dentro do Nove de Julho para atender toda a cadeia, sendo que 15 são nutricionistas de dieta terapia.
Interesse no Mercado
A Gran Sapore está com projeto de expandir seus trabalhos dentro dos hospitais localizados no estado de São Paulo. Existente há 17 anos no mercado alimentar, a companhia vem desde 2003 atuando na área hospitalar do Rio de Janeiro como, por exemplo, no Hospital Copa D"Or, Hospital Balbino, Hospital Tijutrauma e Hospital Unimed Campos. Em Manaus, a Gran Sapore está presente no Hospital Unimed Manaus.
"Nessas instituições nós estamos focados na parte de produção enquanto os hospitais têm seu próprio corpo clínico. Em contrapartida venho de uma formação grande na área hospitalar e vejo grande potencial numa empresa que quer desenvolver trabalho de copeiras, dando treinamento voltado para gastronomia. Isso é um nicho grande", explica a responsável pela área hospitalar do Gran Sapore, Teresa Caldas.
Segundo a executiva, a ideia é fazer com que a alimentação não seja só produzir a refeição, e sim levar ao paciente agregando serviço com serviço de hotelaria.
"Tem algo que vejo como desfio grande: quando você entra num hotel é para se divertir ou a negócios. O hospital, nessa parte, tem que estar bem fundado porque acima de tudo o paciente vem em busca de uma cura e você tem que estar alinhada a todos esses pontos, pois qualquer deslize pode colocar a volta desse paciente em risco", afirma.
Com grande foco em hospitais, Teresa ressalta que dentre em breve a Gran Sapore deva conquistar novas unidades. Um dos projetos da companhia é crescer na capital paulista em mais seis hospitais ainda em 2010. "Já estamos em vias de negociações."
Teresa diz estar segura para estar em qualquer hospital na área de São Paulo. "O processo clínico, gastronômico e de produção em si nos da segurança", salienta a executiva ao afirmar que investimento é possível fazer e que a parte financeira é uma estratégia da empresa.
"Hoje há uma necessidade do próprio hospital, que já começa ramificar suas áreas para que ele garanta serviço. Essas instituições têm que aumentar faturamento, ter cura do paciente, mas para isso é preciso ter demanda, e consequentemente é preciso ter serviço. Se você tem serviço é possível atingir uma lotação, ou ter 95% dos leitos ocupados e é preciso agregar valor e sair em busca de serviço terceirizado que vai garantir esse atendimento com maior qualidade. O hospital na verdade vai monitorar e acompanhar a qualidade desse serviço que não é o foco dele."
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