20/10/2008 - 23h58
Colaboração para a Folha Online
Um rapaz de 25 anos recebeu nesta segunda-feira o pâncreas e o rim de Eloá Cristina Pimentel, 15, que morreu morreu baleada após passar cem horas refém do ex-namorado em Santo André (Grande São Paulo). A operação ocorreu no hospital Beneficência Portuguesa e durou quase sete horas.
De acordo com o hospital --que não divulgou o nome do beneficiado--, o paciente é de Guarulhos --também na Grande São Paulo-- e sofria de diabetes crônica e insuficiência renal. O rapaz fazia hemodiálise havia três anos e era o quarto da lista de espera, mas foi beneficiado porque as três pessoas a sua frente não eram compatíveis com os órgãos doados.
Uma mulher de 39 anos foi a primeira beneficiada com os órgãos doados pela família de Eloá. Ela recebeu o coração da adolescente. Segundo o hospital Beneficência Portuguesa, a paciente aguardava um coração há um ano e meio, quando recebeu o diagnóstico de que o transplante era a única solução para resolver um problema de cardiopatia congênita.
Também nesta segunda-feira, uma jovem de 18 anos recebeu os pulmões. A cirurgia durou 11 horas e terminou por volta das 13h, de acordo com o Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas).
De acordo com o hospital, a garota estava na fila do transplantes havia dois anos, vítima de fibrose cística --uma doença congênita que compromete progressivamente a função respiratória. Após o transplante, a jovem foi levada para recuperação na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e tem quadro clínico estável.
Refém
Eloá foi rendida por Lindemberg Fernandes Alves na segunda-feira da semana passada. Ele estava inconformado com o fim do namoro de três anos e rendeu também três amigos da adolescente --dois garotos libertados no mesmo dia e a amiga Nayara, que, após passar 33 horas em cárcere privado, voltou ao apartamento na quinta-feira (16) por exigência do rapaz.
A Polícia Militar afirma que decidiu invadir o apartamento na noite de sexta após o rapaz atirar. Segundo a Polícia Civil, ele responderá pela morte de Eloá e duas tentativas de homicídio --contra Nayara e um policial--, além de cárcere privado e periclitação de vida (por colocar a vida de pessoas em risco).
Nayara, baleada no rosto, passa bem, mas permanece internada no hospital municipal de Santo André. A expectativa é de que ela receba alta nesta semana. |