A Força Edulcorante da Sacarina
Rafael Mattos - 25/12/2007 12:55
Nutricionista do Centro de Pós–graduação da Santa Casa de Belo Horizonte
Descoberta em 1879, a sacarina foi, inicialmente, utilizada como anti-séptico e como conservante de alimentos e vem sendo comercializada como edulcorante desde 1900. Sua incorporação em alimentos aumentou, significativamente, durante as duas Guerras Mundiais em decorrência da escassez e do racionamento de açúcar.
Propriedades e Aplicações
A sacarina apresenta uma série de características que a tornam muito próximas do adoçante ideal: alto poder edulcorante (200 a 700 vezes superior ao da sacarose), alta estabilidade e alta solubilidade em água, não higroscópica, não cariogênica e poder calórico nulo.
A sacarina mostra sinergismo com vários edulcorantes intensos, no entanto este efeito é muito pouco acentuado com acesulfame ou esteviosideio. O perfil de doçura da sacarina é diferente daquele da sacarose, pois produz um impacto edulcorante bastante lento que vai crescendo gradativamente até atingir intensidade máxima e persistente.
Gostos amargos ou metálicos e adstringentes estão associados ao dulçor da sacarina e tendem a intensificar-se com o aumento da concentração. Nos países onde é permitido o uso de ciclamato, associação de sacarina e ciclamato mascara o sabor residual da sacarina ao mesmo tempo em que eleva o poder adoçante do ciclamato. Devido à sua estabilidade térmica a sacarina pode ser utilizada em produtos assados, temperos para saladas, geléias, gelatinas, bebidas carbonatadas, preparados para refresco, enlatados e outros produtos.
É o edulcorante com melhor relação custo/poder edulcorante. A versatilidade da sacarina permite seu emprego em muitos alimentos, medicamentos e cosméticos em função da sua alta estabilidade ao armazenamento e aquecimento, por se combinar bem com outros edulcorantes e por se incorporar facilmente a misturas líquidas ou secas. Em produtos não alimentícios tem sido o edulcorante de escolha para pasta de dentes e outros produtos de higiene oral e pessoal.
Metabolismo e Segurança
Cerca de 80% da sacarina ingerida por via oral é absorvida e excretada inalterada ou como ácido 2-sulfamoilbenzóico. A sacarina apresenta rápida e completa eliminação renal e absorção lenta e incompleta sendo que a dose recuperada nas fezes humanas pode ser de 1 a 9%. Doses administradas oralmente são em grande parte eliminadas nas primeiras vinte e quatro horas, ficando uma quantidade significativa de cerca de 5 a 10% para ser excretada após este prazo.
O mais antigo dos edulcorantes artificiais é também aquele que, nos últimos 50 anos, tem estado sujeito a constantes críticas, baseadas em um passado no curso do qual foi considerado responsável pelo desenvolvimento de câncer na bexiga de ratos. A sacarina foi objeto de estudo de mais de 30 trabalhos com humanos. No ano de 2000, o Programa Nacional de Toxicologia determinou, com base nos estudos disponíveis, que a sacarina não era um agente em potencial na etiologia do câncer, em vista do que a FDA liberou o produto para consumo geral em 2001.
Estão disponíveis no mercado brasileiro um número muito grande de adoçantes, contendo concentrações variáveis do edulcorante sacarina, sob a forma de gotas, comprimidos ou pó. A concentração de sacarina nos produtos disponíveis na forma de gotas varia de 50 a 83 mg/ml, o que permitiria a ingestão diária máxima de 5,0 mg/Kg de peso corpóreo ou duas gotas/Kg de peso corpóreo para os produtos mais diluídos e uma gota/Kg para os mais diluídos. Para os produtos na forma sólida, o consumo máximo diário não deve ultrapassar a um envelope para cada 4 Kg de peso ou um comprimido a cada 1,5Kg de peso corpóreo. De forma prática, para uma pessoa de 70Kg atingir a dose máxima recomendada por dia, ela teria que ingerir 3 vidros e meio de adoçante por dia, o que equivaleria aproximadamente a 125 gotas por quilo de peso/dia.
A Polêmica Sobre o Consumo de Café
Outras fontes:
Livro “Diabetes sem medo”
Autores: Leão Zagury (Presidente da SBD), Tânia Zagury e Jorge Guiddci. Editora Rocco
No dia 08 de novembro de 2002, o site do jornal Folha de São Paulo publicou uma reportagem sobre o estudo preliminar do Instituto Nacional de Saúde Pública da Holanda, referente ao café. Segundo os resultados divulgados, o hábito de ingestão diária da bebida poderia reduzir as chances de desenvolver o diabetes tipo 2.
Mais de 17 mil indivíduos foram analisados. Os pesquisadores holandeses concluíram que quem costuma ingerir 7 doses por dia de café reduziria em até 50% as possibilidades em relação aos que ingerem apenas duas vezes ou menos.
No entanto, não foi encontrada uma relação de causa e efeito na pesquisa. Ou seja, não foi relatado de que forma o benefício poderia ocorrer ao longo dos anos. Suspeita-se até que as conclusões não passam de mera coincidência.
No mais, como sabemos, o café é uma bebida nacional altamente difundida. Possui substancias estimulantes, que podem atuar no conjunto digestivo. Para as pessoas com diabetes, o consumo deixou de ser um problema, pois o açúcar foi substituído pelo adoçante. O que se deve evitar é o exagero, assim como com qualquer outro alimento.
Consultoria Dr. José Egídio Paulo de Oliveira, Professor da Faculdade de Medicina da UFRJ e ex-presidente da SBD.
A Polêmica Sobre o Consumo do Mel
Outras fontes:
Livro “Diabetes sem medo”
Autores: Leão Zagury (Presidente da SBD), Tânia Zagury e Jorge Guiddci. Editora Rocco
Em maio de 2002, a revista Veja publicou uma reportagem em que um advogado paulista afirmou curar o diabetes com derivados de mel. A afirmação, infelizmente, não é verdadeira. Serviu apenas para causar polêmica entre os especialistas e comentários de várias sociedades que atuam na área. Mas isso não significa que estamos diante de um alimento ruim. O que deve ser analisado são as substâncias que o constituem e os efeitos que causam no organismo.
Por possuir característica de alta absorção, o mel pode modificar rapidamente a glicemia. Há uma concentração maior, por exemplo, de carboidratos. A pessoa com diabetes tipo 1 não está proibida de consumir mel, desde que calcule a dose extra de insulina ultra-rápida que será necessária aplicar posteriormente. O que não pode haver, no entanto, é o consumo livre e contínuo. Porque, com o passar do tempo, o excesso de carboidratos vai se transformar em ácido graxo e gordura. E isso significa ganhar massa corporal.
É exatamente na questão do peso que surge o principal problema para o diabetes tipo 2. Este é um grupo onde 90% dos indivíduos são obesos. E a dieta é um fator importante para o tratamento correto, pois possibilita um melhor controle da glicemia e, conseqüentemente, da pressão e do perfil lipídico. Portanto, é imprescindível que os alimentos sejam discutidos à luz destas informações.
Consultoria Dr. José Egídio Paulo de Oliveira, Professor da Faculdade de Medicina da UFRJ e ex-presidente da SBD.
A Versatilidade do Acesulfame-K
Rafael Matto
Nutricionista do Centro de Pós-graduaaçãp da Santa Casa de Belo Hoizonte
A descoberta do acesulfame-K por Karl Clauss e H. Jensen, da Companhia Hoechst, em 1967, na Alemanha, ocorreu acidentalmente quando os pesquisadores trabalhavam no desenvolvimento de novos produtos e descobriram um composto de gosto doce, não sintetizado anteriormente. O nome inicial era “acetosulfam” e, em 1978, a OMS registrou o nome genérico “acesulfame potassium salt”, sendo que, atualmente, foi abreviado para acesulfame-K.
Propriedades e Aplicações
O acesulfame mostra excelente estabilidade nas seguintes condições tanto na forma seca, após armazenamento prolongado, resistindo também a temperaturas elevadas e pH baixo e em contato com outros ingredientes ou constituintes dos alimentos.
O acessulfame não é higroscópico e é rapidamente solúvel em água. Não é cariogênico, podendo mesmo ser anticariogênico. A doçura do acesulfame é rapidamente perceptível, com decréscimo lento, mas não persistente, porém, de duração ligeiramente superior à da sacarose.
O perfil de doçura é semelhante ao da glicose. Em soluções aquosas altamente concentradas, alguns indivíduos são capazes de perceber gosto amargo ou químico sintético, mas tais concentrações não são normalmente utilizadas nos sistemas alimentícios.
É cerca de 180 vezes mais doce que soluções de sacarose a 3-4%. Como ocorre com outros edulcorantes, a intensidade de doçura não aumenta proporcionalmente ao aumento da concentração. O grau de doçura do acesulfame-K é semelhante ao do aspartame, aproximadamente metade do da sacarina e quatro vezes superior ao do ciclamato.
Em bebidas quentes a doçura de edulcorantes intensos é normalmente menor que à temperatura ambiente, mas este efeito não é observado com o acesulfame. Apesar do acesulfame ter custo substancialmente maior do que o da sacarina, é muito utilizado como seu substituto em mistura com o aspartame em muitas formulações. Esta substituição melhora o sabor do produto e confere maior estabilidade do que o aspartame isoladamente.
O potencial de uso deste edulcorante é ilimitado. Pode ser usado como adoçante de mesa, em bebidas semidoces e em bebidas carbonatadas associado a outros edulcorantes, para conferir estabilidade e qualidade de doçura.
Devido à sua estabilidade à pasteurização, o acesulfame é indicado para produtos lácteos e em enlatados. O acesulfame é muito usado na fabricação de caramelos duros e macios, sobremesas, sorvetes, geléias, gomas de mascar e conservas de frutas. Pode ser utilizado em produtos para higiene oral e em medicamentos.
Metabolismo e Segurança
Não é metabolizado pelo homem e nem por animais e, embora rapidamente absorvido, 99% da dose é eliminada inalterada em 24 horas, principalmente pela urina. Considerando-se que cada vez mais a avaliação toxicológica de edulcorantes artificiais tem um papel crucial na sua aprovação e subseqüente uso, inúmeros ensaios toxicológicos foram conduzidos com o acesulfame.
Mais de 90 estudos internacionais, realizados durante 15 anos, comprovaram que o acesulfame não apresenta efeitos tóxicos. Foi aprovado pela FDA, em 1988, como adoçante de mesa e, em 1998, como adoçante para bebidas. Em 2003 foi aprovado para uso geral em alimentos.
A IDA recomendada pela FDA é de 15 mg/Kg de peso, correspondente, para um adulto de 60 Kg, à doçura de 180g de açúcar, o que representa o dobro do consumo médio diários de açúcar. Um bom exemplo para se atingir a dose máxima permitida de acesulfame-K para um mesmo indivíduo de 60 kg seria o consumo de aproximadamente 6 litros de um refrigerante zero, representando um consumo exagerado e desaconselhado.
Acupuntura
Outras fontes:
Livro “Diabetes sem medo”
Autores: Leão Zagury (Presidente da SBD), Tânia Zagury e Jorge Guiddci. Editora Rocco
A acupuntura vem ganhando, ultimamente, muitos adeptos no Brasil. Para as pessoas com diabetes pode ser útil apenas no alívio das dores, nas neuropatias e para determinados casos, sob orientação médica. No entanto, se for usado como substituto do tratamento usual (dieta, insulina comprimidos hipoglicemiantes, exercício físico e etc.), pode ser perigosa.
Consultoria Dr. José Egídio Paulo de Oliveira, Professor da Faculdade de Medicina da UFRJ e ex-presidente da SBD.
Adoçantes artificiais como causa de câncer
Outras fontes:
Livro “Diabetes sem medo”
Autores: Leão Zagury (Presidente da SBD), Tânia Zagury e Jorge Guiddci. Editora Rocco
Há cerca de um século os indivíduos com diabetes vêm utilizando, regularmente, os adoçantes artificiais e não existem evidências científicas de maior incidência de câncer neste grupo. As pesquisas que levaram a esta dúvida utilizaram doses diárias quinhentas vezes maior do que a recomendável para o homem. Podemos dizer, portanto, que o uso é seguro.
Consultoria Dr. José Egídio Paulo de Oliveira, Professor da Faculdade de Medicina da UFRJ e ex-presidente da SBD.
Adoçantes Artificiais: o Aspartame
Rafael Mattos - 25/11/2007 19:47
Nutricionista do Centro de Pós-graduação da Santa Casa de Belo Horizonte
O primeiro adoçante utilizado na história, por culturas antigas da Grécia e China, foi o mel. Posteriormente, foi descoberta a sacarose, açúcar comum, originalmente obtido da cana de açúcar. Durante a I Guerra Mundial, o açúcar da beterraba era a maior fonte de sacarose.
O primeiro adoçante artificial foi a sacarina, sintetizada em 1879. Ela foi bastante utilizada durante a I e II Guerras Mundiais, pelo seu baixo custo de fabricação e pelo escasso acesso ao açúcar comum. Quando a economia mundial se recuperou, e os padrões populacionais de vida aumentaram, o açúcar voltou com toda força, a obesidade aumentou na população ocidental e a razão para se usar a sacarina deixou de ser devido o baixo custo, passando a ser mais importante a menor ingestão calórica.
A principal razão para substituição da sacarose é a expansão da disponibilidade de alimentos e bebidas para situação de restrição calórica ou de carboidratos, quer no sentido de controle de peso, diabetes ou prevenção de cáries.
A Descoberta
A descoberta do aspartame, assim como a da grande maioria dos edulcorantes, foi acidental. Nos anos 60, um dos projetos da G.D. Searle and Company, era encontrar um inibidor para gastrina, produto utilizado no tratamento de úlcera. O tetrapeptídeo terminal da gastrina (Trp-Met-Asp-Phe-NH2 ) foi empregado como padrão para ensaio biológico e o aspartame (Asp-Phe-O-Met) foi o intermediário na síntese.
Em 1965, o pesquisador James M. Schatter aquecia o composto em um frasco contendo metanol quando a mistura espirrou para fora do frasco e caiu-lhe nos dedos. Minutos após, levando o dedo à boca para folhear um livro sentiu um sabor extremamente doce, descobrindo o fortíssimo poder edulcorante do aspartame.
O aspartame é o éster metílico de dois aminoácidos, a fenilalanina e o ácido glutâmico, ou seja, éster metílico de L-aspartil-L-fenilalanina.
Sabor do Açúcar
O perfil de doçura é o que mais se aproxima ao da sacarose, apesar de desenvolver-se mais lentamente e persistir por mais tempo. Não deixa qualquer sabor residual amargo, químico ou metálico, freqüentemente associados aos demais edulcorantes e sua doçura é 120 a 220 vezes superior à da sacarose. Geralmente é mais potente em baixas concentrações e em produtos à temperatura ambiente do que em produtos congelados ou quentes.
Devido ao seu alto poder adoçante, são necessárias quantidades mínimas para produzir a doçura desejada, reduzindo a ingestão calórica. Seu valor calórico é 4 Kcal/g, ou seja, igual ao do açúcar, no entanto o valor calórico, considerando a seu poder adoçante, é de aproximadamente 0,02 Kcal/g, o que determina uma contribuição energética desprezível em relação à doçura.
O aspartame apresenta algumas restrições quanto a sua estabilidade. É estável em sistemas líquidos acidificados, mas perde seu dulçor em pH neutro, alcalino ou temperaturas elevadas.
O efeito sinérgico é observado na combinação de aspartame com vários dos carboidratos ou dos edulcorantes intensos. A mistura aspartame/acessulfame-K - na proporção de 1:1 - aumenta o poder adoçante do aspartame, podendo atingir, dependendo do tipo de alimento em que é aplicado, valores de 3 a 6 vezes superiores que quando utilizados individualmente.
Metabolismo e Segurança
Após sua ingestão o aspartame é rapidamente hidrolisado no intestino ao dipeptídio L-aspartil-L-fenilalanina e a metanol. O dipeptídeo é metabolisado nas células da mucosa em seus aminoácidos constituintes: ácido aspártico e fenilalanina.
O aspartame foi intensamente estudado e passou por testes detalhados e exames minuciosos para sua aprovação para uso comercial.
O processo de aprovação do aspartame nos Estados Unidos iniciou em 1973, sendo liberado pela FDA em 1974. Os dados foram na época contestados, sugerindo-se risco de danos cerebrais e de disfunções endócrinas. Sua comercialização foi suspensa até que em 1978 uma auditoria validou os dados de segurança.
Em 1979, foi formado um comitê por cientistas para responder a algumas questões:
1.
Se a ingestão do aspartame sozinho ou com glutamato poderia provocar danos cerebrais ou de sistemas neuroendócrinos;
2.
Se causaria neoplasias em ratos e quais seriam os requisitos para o rótulo caso o produto fosse aprovado. Após revisão o comitê não encontrou evidências de toxicidade.
Foram 112 estudos metabólicos, farmacológicos e toxicológicos em diferentes espécies de animais e em humanos. Por ser metabolizado no trato gastrointestinal em ácido aspártico, fenilalanina e metanol, os estudos de metabolismo e toxicidade deveriam considerar a presença destes três compostos. Os estudos foram relacionados à presença do metanol e, especialmente, da fenilalanina.
Cada um dos três constituintes, quando ingeridos separadamente em quantidades muito elevadas, produzem efeitos químicos e funcionais no sistema nervoso central. O metanol é uma toxina potente causadora de acidose metabólica e cegueira quando consumido em excesso.
Cerca de 10% em peso do aspartame é absorvido para a circulação como metanol, no entanto, não é detectável mesmo em doses de 34 mg de aspartame/Kg de peso corpóreo. As quantidades destes metabólitos são muito pequenas quando comparadas às obtidas da dieta normal (carnes ou outros alimentos protéicos).
Um copo de leite apresenta seis vezes mais fenilalanina e 13 vezes mais aspartato que uma quantidade equivalente de refrigerante adoçado com aspartame. A quantidade de metanol em um copo de suco de tomate é seis vezes superior a do mesmo volume de refrigerante.
Ensaios agudos, crônicos e subcrônicos em vários animais evidenciaram a ausência de toxicidade e carcinogenicidade associado à ingestão do aspartame.
Em resumo: o aspartame não atua nos sistemas reprodutivos e não apresenta efeitos mutagênicos, teratogênicos ou embriotóxicos, ou efeito tóxico de qualquer natureza nas doses em que é utilizado ou recomendado.
De acordo com os especialistas da FDA não há qualquer evidência científica que apóie uma ligação entre o aspartame e qualquer tipo de câncer. Em 2005, a Fundação Européia Ramazzini publicou as conclusões de um estudo a longo prazo de aspartame em ratos, concluindo que poderia causar leucemia e linfoma e que, em função disso, a utilização do produtos deveria ser reavaliada.
Ao analisar os dados do estudo, a Autoridade Européia de Segurança Alimentar concluiu que os dados do estudo não suportavam suas conclusões. A FDA recebeu parte dos dados do estudo em fevereiro de 2006 e deverá anunciar suas conclusões após o término da investigação. Considerando-se os dados disponíveis até agosto de 2006, a FDA conclui pela segurança do uso do aspartame.
Em termos das diferentes apresentações de aspartame comercializadas no Brasil, recomenda-se a ingestão diária máxima de até 10 gotas/Kg de peso corpóreo dos produtos apresentados sob a forma líquida, para não se ultrapassar a ingestão diária aceitável (IDA) de 40mg/Kg.
Temas posteriores: Sacarina, Acesulfame-K, Sucralose e Stévia.
Alimentos Além do Bem e do Mal
É muito comum encontrar na imprensa reportagens que ora dizem que um determinado alimento faz bem, ora que faz mal. Mesmo com acesso às informações e aos resultados de pesquisas, a população acaba com mais dúvidas do que certezas. Conforme reportagem publicada na revista Época, em março, quanto mais a imprensa divulga notícias sobre uma dieta saudável, menos as pessoas sabem o que pôr no prato.
Segundo a Época, até os anos 80 as pessoas tiravam suas dúvidas apenas com seus médicos. Com o aumento do volume de informações sobre ciência e saúde em jornais, revistas, internet e na TV, estes meios se firmaram como referência para os que procuram informações sobre saúde.
Os alimentos podem aparecer como benéficos ou vilões a cada pesquisa divulgada. Em que informações as pessoas com diabetes podem confiar? O que gera essa confusão? Para esclarecer algumas dúvidas e desfazer mitos, conversamos com Anelena Soccal Seyffarth, membro do Departamento de Nutrição da SBD e nutricionista da Secretaria Estadual de Saúde-DF.
O primeiro ponto destacado por Anelena é que nenhum alimento sozinho faz milagre. Cada um tem suas qualidades e a harmonia entre eles, ou seja, o consumo de quantidades certas de cada um, preserva a saúde e protege contra doenças.
- É comum os leigos acharem que uma ação positiva do alimento em relação a alguma doença é a solução, quando na verdade esta característica, para se manifestar, depende de outras condições também favoráveis. Assim surgem os mitos: a qualidade do alimento é confundida com a “salvação” ou “cura”. O contrário também acontece, ou seja, um alimento é rotulado como ruim apesar da sua composição nutritiva.
Sobre café, frutas e diabetes
A Dra. Anelena lembra o exemplo do abacate. Até hoje as pessoas acreditam que esta fruta tem uma gordura ruim. Seu teor de gordura monoinsaturada é a mesma do azeite de oliva e do óleo de canola, e está associada à manutenção do HDL colesterol - parte do colesterol que tem ação protetora. Logo, o seu consumo não é contra-indicado. “Como todas as gorduras, no entanto, deve-se ter cuidado com a quantidade consumida, já que é um alimento com alta densidade calórica”, esclarece.
Com relação ao café, alguns estudos apontam benefícios em relação ao diabetes, doença de Parkinson e Alzheimer. Mas grandes quantidades de café podem causar irritabilidade, complicar queixas de dor no estômago ou azia e influenciar negativamente na pressão arterial.
- O bom senso manda aguardar para ver se os resultados de estudos serão, ou não, suficientes para serem transformados em orientações precisas sobre o uso terapêutico do café.
Outra recomendação da Dra. Anelena é que o consumo de café deve ser de três xícaras pequenas por dia. A bebida deve ser de boa qualidade e preparada na hora, preservando a saúde.
Um mito bastante difundido é o de que frutas como banana, caqui, manga e uva são contra-indicadas para quem tem diabetes. Na verdade elas são fontes importantes de nutrientes (potássio, vitamina A), não precisando ser restritas, mas consumidas em quantidades adequadas.
Já o melão costuma ser associado a queixas digestivas e considerado um alimento de difícil digestão. Algumas pessoas podem até apresentar estas reações, mas elas são individuais, não devendo ser generalizadas. O fato é que o melão é um alimento rico em potássio - mineral importante para a contração muscular e auxiliar no controle da pressão arterial.
“As frutas são fontes de vitaminas, minerais e fibras, nutrientes imprescindíveis para a saúde e a prevenção de doenças. As pessoas com diabetes podem utilizá-las de acordo com suas necessidades individuais. As orientações são, na verdade, semelhante às da população em geral: uso diário, variando os tipos e evitando grandes quantidades de uma só vez”, conclui a nutricionista.
E o chocolate diet?
A utilização de chocolate diet pelas pessoas com diabetes deve ser considerada como opção para certas ocasiões, o mesmo valendo para o chocolate comum. Mesmo que este alimento não tenha açúcar, não implica em redução calórica significativa. Para manter a consistência do chocolate utiliza-se mais gordura, principalmente do tipo hidrogenada que, se consumida em excesso, pode aumentar o colesterol, além de favorecer o ganho de peso.
Assim como para a população em geral, é contra-indicado o uso rotineiro de guloseimas, refrigerantes, bebidas alcoólicas, alimentos muito gordurosos, embutidos (lingüiça, salsicha,etc), excesso de massas, pois estes estão associados ao ganho de peso e dificuldades no controle da glicemia, pressão arterial e gorduras no sangue.
A Dra. Anelena ensina que a forma segura de escolher os alimentos é privilegiar os mais naturais, frescos, utilizando vários tipos em quantidades suficientes. Evitar a idéia de que “se é bom, vamos comer mais”. Comer com freqüência muitas vezes é melhor que comer grandes quantidades por vez.
Para ela, os profissionais de saúde, em especial os nutricionistas, são os indicados para orientar as pessoas de acordo com o seu estilo de vida. É bom lembrar que cada um tem necessidades e hábitos diferentes. Portanto, outro mito é que existe uma “dieta” para diabetes. Existem diretrizes comuns para a alimentação de pessoas com diabetes, mas as estratégias de aplicação devem ser individualizadas. Aquelas que, por exemplo, praticam muito exercício ou trabalham em horários alternativos devem ter um planejamento alimentar diferenciado.
No site da SBD os internautas podem encontrar orientações e enviar perguntas que serão esclarecidas pelos membros do departamento de Nutrição.
Aspartame sem Preocupações
Paula Camila - 25/05/2006 00:00
Não há razão para recomendar a mudança da IDA (Ingestão Diária Aceitável) do aspartame. Esta é a conclusão do relatório da AFC, equipe da European Food Safety Authority (EFSA). Esta equipe é responsável por assuntos como aditivos químicos, condimentos e cuidados de processamentos e de materiais em contato com alimentos.
A posição oficial da EFSA vem de estudo recente, do Instituto Ramazzini, concluindo que o uso de aspartame poderia provocar riscos de leucemia e linfoma. Segundo o Dr. Herman Loeter, diretor executivo da EFSA, a instituição considera que “os resultados deste novo estudo sobre o aspartame não fornecem base científica para reconsiderar o uso do adoçante nos alimentos”.
As pesquisas da EFSA deram base a um estudo recente do National Cancer Institute sobre epidemiologia. Não foi encontrada nenhuma ligação entre o consumo de aspartame e o surgimento de leucemias, linfomas e tumores cerebrais. O estudo acompanhou 500.000 homens e mulheres por 5 anos. Os pesquisadores concluíram que não aumenta aqueles tipos de câncer entre os que usam aspartame.
O FDA (órgão norte-americano equivalente à Anvisa) também defende que o aspartame é um adoçante seguro. “Baseado na grande quantidade de evidências que revisamos - inclusive de vários estudos sobre carcinogênese, que não mostraram nenhum efeito inadequado no metabolismo do aspartame - não temos razão para crer que o aspartame cause câncer. Então, permanece a posição do FDA sobre o uso”, explica o comunicado oficial.
Além do FDA, o JECFA - Joint Expert Committee on Food Additive (órgão da Organização Mundial de Saúde) e o Scientific Committee on Food of the European Union também revisaram os estudos sobre aspartame e concluíram que seu uso é seguro.
Boatos sobre o consumo
De tempos em tempos, várias correntes são passadas via e-mail alertando para um possível risco de câncer, e até mesmo demência, causados pelo uso do aspartame.
“Desde a sua descoberta e recomendação para uso seguro, provavelmente quem mais consome estes produtos são as pessoas com diabetes”, declara Gisele Rossi, Coordenadora do Departamento de Nutrição da SBD. “Até o momento não houve nenhum caso descrito na literatura científica sobre efeitos negativos em pessoas com diabetes. Considero essencial a orientação adequada, por parte dos profissionais, quanto à escolha e às técnicas simples para assegurar seu poder adoçante, bem como as quantidades recomendadas pelos órgãos fiscalizadores”, afirma.
Sobre o aspartame
Gisele explica que o aspartame é obtido a partir de dois aminoácidos: o ácido aspártico e fenilalanina. Ele adoça de 43 a 400 vezes mais do que o açúcar refinado e não deixa sabor residual. Por apresentar alto poder adoçante, desconsideram-se as calorias.
O aspartame é considerado seguro por todos os órgãos fiscalizadores na área de alimentação. “A única contra-indicação ficaria por conta da fenilalanina, a portadores de fenilcetonúria, o que deve sempre estar especificado nas embalagens dos produtos que contém aspartame”, ressalta a nutricionista.
A IDA (Ingestão Diária Aceitável) recomendada no Brasil é de 40mg/kg de peso corporal. Cálculos efetuados por um pesquisador da faculdade de engenharia de alimentos, da Universidade Estadual de Campinas, demonstraram que a ingestão diária para não ultrapassar a IDA (40mg/kg de peso corporal) seria de 10gotas/kg dos produtos apresentados na forma líquida ou de um envelope/kg para aspartame em pó.
Dicas para o consumo de aspartame
- Experimentar os alimentos antes de adicionar o adoçante;
- Contabilizar o número de gotas ou sachês do adoçante utilizado;
- Lembrar que um sachê de adoçante à base de aspartame equivale ao poder adoçante de 02 colheres (chá) de açúcar;
- Misturar com colher para que o adoçante se integre ao alimento;
- Aquecido em altas temperaturas, o poder adoçante do aspartame fica reduzido.
Fonte: Gisele Rossi Goveia, Coordenadora do Departamento de Nutrição da SBD (2006-2007)
Batata Yacón
Outras fontes:
Livro “Diabetes sem medo”
Autores: Leão Zagury (Presidente da SBD), Tânia Zagury e Jorge Guiddci. Editora Rocco
Este é um mito que vem obtendo fundamento. Os estudos, apesar de ainda serem preliminares, estão demonstrando resultados interessantes. A Batata Yacón possibilitaria a pessoa com diabetes um aporte calórico maior de carboidratos, sem colocar em risco o controle metabólico.
Além disso, há alguns anos a imprensa vem ressaltando sua capacidade de diminuir os níveis de açúcar no sangue. Suspeita-se que esse alimento apresenta teor de frutose em 60% de sua composição. Isso poderia auxiliar a diminuição da glicose, embora ainda não se saiba como.
Consultoria Dr. José Egídio Paulo de Oliveira, Professor da Faculdade de Medicina da UFRJ e ex-presidente da SBD.
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